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“Mestres da reportagem” traz entrevistas com grandes repórteres

Trinta jornalistas brasileiro falam sobre seu trabalho

Postado em 13 de novembro de 2012 por Paola Oliveira

O livro Mestres da reportagem traz 30 entrevistas exclusivas com grandes repórteres do país. Os jornalistas falam sobre sua trajetória profissional e sobre reportagem, destacando os bastidores das melhores matérias que fizeram. O livro será lançado nesta terça-feira (13), em São Paulo, e conta com nomes como José Hamilton Ribeiro, Eliane Brum, César Tralli, Ernesto Paglia e Carlos Wagner.


As entrevistas foram realizadas por alunos do 4º e 6º semestre de Jornalismo da Faculdade do Povo de São Paulo (FAPSP) sob coordenação da professora Patrícia Paixão, organizadora do livro. “Não nos interessou entrevistar editores, produtores ou âncoras de telejornais”, conta a professora. “Sabemos a importância de todas essas funções, mas focamos nosso trabalho no ofício de repórter”, explica.

No livro, há entrevistas com repórteres de várias mídias e editorias. O prefácio ficou por conta de José Hamilton Ribeiro. Foram entrevistados os repórteres Adriana Carranca, Agostinho Teixeira, Bruno Garcez, Carlos Wagner, César Tralli, Cid Martins, Eliane Brum, Elvira Lobato, Ernesto Paglia, Geneton Moraes Neto, Gérson de Souza, Giovani Grisotti, Goulart de Andrade, José Arbex Jr., Leandro Fortes, Luiz Carlos Azenha, Marcelo Canellas, Marcelo Rezende, Mauri König, Paula Scarpin, Percival de Souza, Regiani Ritter, Renato Lombardi, Ricardo Kotscho, Roberto Cabrini, Silvia Bessa, Sônia Bridi, Tatiana Merlino e Valmir Salaro, além do próprio José Hamilton.

Mestres da reportagem será lançado nesta terça-feira, às 18h30min, no auditório da Vila do Sopping Higienópolis, em São Paulo. Na ocasião, haverá um bate-papo sobre reportagem com alguns dos entrevistados.
Confira a entrevista, por e-mail, com a professora Patrícia Paixão, organizadora do livro:

unicos.cc – Como foi feita a seleção dos entrevistados?
Patrícia Paixão – Nosso critério foi selecionar jornalistas de destaque que atuassem essencialmente como repórteres, já que o foco do livro é a reportagem. Muitas vezes, usamos como base para a escolha premiações recebidas por esses jornalistas na categoria Reportagem. Levamos em conta premiações reconhecidas como o Esso, o Vladimir Herzog e o Imprensa Embratel. Não tivemos a pretensão de fazer um ranking dos melhores repórteres brasileiros, e sim de trazer um pouco do que a reportagem brasileira tem de melhor. Sabemos que muita gente boa ficou de fora, inclusive excelentes repórteres.

unicos.cc – Há jornalistas de todo o país. Todos foram entrevistados pessoalmente?
Patrícia – Há jornalistas de boa parte do país, podemos dizer. Como eu disse, muita gente boa ficou de fora. Tentamos pegar repórteres de várias regiões, como a Sílvia Bessa, que é de Pernambuco. Mas é claro que deve ter escapado muito gente valorosa. A maioria das entrevistas foi feita pessoalmente. Apenas sete entrevistas foram realizadas por e-mail por problema de agenda do entrevistado ou pelo fato de o entrevistado estar em outro estado.

unicos.cc – Os alunos escolheram uma reportagem feita por cada jornalista e fizeram perguntas sobre ela ou as perguntas foram mais aleatórias sobre o gênero da reportagem?
Patrícia – Houve perguntas básicas sobre a trajetória do jornalista (como: de que forma você começou no jornalismo?) e sobre o gênero reportagem (como: quais as qualidades de um bom repórter?) que foram feitas em todas as entrevistas, mas os alunos não se limitaram a essas questões-padrão. Eles foram a fundo na pesquisa levantando as principais reportagens premiadas do entrevistado e fazendo perguntas sobre os bastidores de produção delas. E é por isso que o livro ficou tão interessante. Na entrevista com Roberto Cabrini, por exemplo, ele revela detalhes sobre como descobriu o PC Farias em Londres (foragido em 1993).

unicos.cc – O livro traz entrevistas com jornalistas de várias editorias. A obra mostra que cada editoria tem um jeito de fazer reportagem ou isso se deve muito ao jornalista que a faz, não interessando a editoria a qual pertence?
Patrícia – Um pouco das duas coisas. Em algumas entrevistas percebemos que a editoria influencia bastante o estilo de reportagem, como nas entrevistas com Valmir Salaro, Percival de Souza e Renato Lombardi. Nelas percebemos que a reportagem policial envolve muita investigação, risco de morte e desgasta bastante o jornalista, emocionalmente falando, em face da crueldade de alguns fatos cobertos. Mas também, ao ler o livro, percebemos que alguns jornalistas têm seu próprio estilo de cobertura e de texto, e mesmo tendo passado por diferentes editoriais, mantêm esse estilo característico. É o caso de José Hamilton Ribeiro.

unicos.cc – Qual foi o aspecto mais interessante sobre os repórteres e o gênero reportagem que o livro, após estar pronto, revelou?
Patrícia – É interessante como a humildade é uma característica realmente de todos os bons repórteres. Todos os jornalistas entrevistados foram extremamente simpáticos e atenciosos com os alunos. E os jornalistas destacam a humildade mesmo como grande qualidade do repórter, além da curiosidade e da ética. Também é interessante perceber que muitos entrevistados afirmam que nem sempre a boa reportagem nasce da pauta. Eles criticam o fato de hoje muitos repórteres saírem da redação com uma tese pré-determinada na cabeça e irem para a rua apenas para confirmar essa tese. Para eles, essa é a morte do jornalista, pois o repórter deve sempre se permitir ser surpreendido pelo fato. Também é interessante perceber alguns dissensos entre os entrevistados. Para alguns, como Geneton Moraes Neto, o repórter não pode ser engajado ideologicamente. Já para outros, como José Arbex Jr, o engajamento é importante e inevitável.

unicos.cc – A senhora pensa que o público consegue ter uma ideia de como é feita uma reportagem?
Patrícia – Acredito que não, e isso ficou claro com a decisão do Supremo de derrubar o diploma. O senso comum acha que é muito fácil fazer um texto jornalístico, que qualquer um pode fazer. Que basta sentar à frente do computador e começar a escrever. Neste livro que fizemos, o público consegue enxergar que, na verdade, uma boa matéria pode demandar dias, meses, anos. Envolve pesquisa a diversos bancos de dados, trabalho de campo, dezenas de entrevistas, técnicas específicas de entrevista, vivência, e depois o trabalho de redação e edição. É algo muito complexo, e não fácil como parece. É algo que envolve também muito dinheiro, e é por isso que muitas redações têm privilegiado a notícia em detrimento da reportagem, que envolve a ida do repórter para a rua, viagens, tempo etc.

unicos.cc – A senhora acredita que quanto mais transparente for o fazer jornalístico, ou seja, quanto mais o público souber como foi feita determinada matéria, entrevista ou reportagem, mais credibilidade ela vai ter?
Patrícia – Acho que sim. Essa transparência contribui para a credibilidade do jornalismo como um todo. Por que se hoje temos bons exemplos de jornalismo, também temos péssimos exemplos. É bom que o público saiba diferenciar uma boa reportagem de uma ruim.

unicos.cc – Como o livro vai ser comercializado? Ele vai chegar à livrarias do Sul, por exemplo, ou terá que ser comprado pela internet?
Patrícia – Por enquanto ele vai ser comercializado nos sites da Livraria da Vila e da Livraria Cultura, que podem ser acessados por pessoas de todo o país.

Mais informações no Blog do Livro.

Paola Oliveira

Estagiária de Jornalismo


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