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Julian Kober

“Por mais violentos que sejam os filmes que eu assisto, há uma diferença entre ficção e realidade”

Postado em 20 de dezembro de 2016 por Dyessica Abadi

Julian ainda era criança. Com aproximadamente 4 anos, seu avô faleceu e ele e seus irmãos adotaram o costume de dormir na cama da avó para assistir filmes. A programação na hora de dormir era a mais tranquila possível: filmes de terror de baixo orçamento, mais popularmente conhecidos como filmes trash. O primeiro filme do gênero que Julian assistiu foi o Mestre dos Brinquedos (Puppet Master, 1989), onde pequenos bonecos começam um massacre contra um grupo de paranormais durante uma visita a um hotel.

Essa criança que parece um anjinho…

…curtia esse tipo de filme.

Numa primeira reação, o menino Julian ficou surpreso com todo o sangue e retaliação do filme. No entanto, sua avó, muito sensata, explicou a ele que “tudo aquilo era falso e as pessoas estavam apenas se divertindo”. Desde então, Julian cresceu junto com a sua paixão por filmes, como ele mesmo diz, “sobre alienígenas e com efeito vagabundo”. O dono do seu coração, o seu supra-suma dos filmes de terror trash, é a obra Palhaços Assassinos do Espaço Sideral (Killer Klowns from Outer Space, 1988).

Atualmente, o anjinho ainda engana bem (você deixaria seu filho com essa pessoa?)

A paixão por cinema guiou Julian para a paixão por escrever e, desta forma, a cursar a faculdade de Jornalismo. Ainda criança, assistiu ao filme Tubarão (Jaws, 1975). Seu pai contou que existia um segundo filme e, na época, a única forma de se assistir a filmes era alugando o VHS numa videolocadora. Em sua cidade natal, Panambi, localizada na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, não havia muitas opções. Então, Julian criou milhões de expectativas sobre o filme e decidiu ele mesmo colocar tudo em ação: escreveu diversas histórias para Tubarão 2. Todas, segundo ele, melhor que a continuação, que assistiu anos mais tarde.

Personalidades de Panambi, segundo o IMDB.

Julian chegou a fazer “uma ponta” num filme de baixo orçamento sobre zumbis. No entanto, sua carreira como ator não deslanchou. Na imagem, personalidades de Panambi, segundo o IMDB.

Isso fez com que, além de criar novas histórias, ele desenvolvesse senso crítico sobre as produções cinematográficas que assistia. Em certo momento da adolescência, chegou a planejar a produção de um filme faroeste com seus amigos panambienses. Hoje em dia, escreve menos sobre filmes do que naquela época, mas ocasionalmente gosta de registrar alguns sonhos e/ou pesadelos para manter-se em prática.

Julian e o jornalismo

‘Hello darkness my old friend…”

Panambi não era nenhuma Hollywood, muito menos uma capital que tivesse milhares de jornais disputando credibilidade. O pequeno jornal da cidade não fez a sua paixão por jornalismo despertar. O responsável por mais uma paixão de Julian foi, novamente, Steven Spielberg, com seu filme, Tubarão. Mas não foi dessa vez que o repórter do filme despertou sua curiosidade para o jornalismo. Foi a Oceanologia surgiu para Julian como uma possibilidade de profissão. Ele assistia a documentários e sabia que existia um profissional responsável por cuidar da vida marinha.

O jornalismo só se tornou seu desejo quando leu pela primeira vez uma edição velha do livro Todos os Homens do Presidente, de Bob Woodward e Carl Bernstein. Então, no terceiro ano do Ensino Médio, sua carreira como oceanólogo foi por água abaixo: decidiu ser um jornalista e viver grandes aventuras – fora de um escritório, que era o seu terror. Aos 18 anos, disse um “até mais” para sua querida Panambi e um “vamo dale” pra Grande Porto Alegre.

No primeiro semestre de 2009, Julian começou a cursar Jornalismo na Unisinos. Quando entrou na universidade, dizia que nunca escreveria sobre buracos de rua. Seu foco eram as pautas culturais sobre cinema. Apesar de gostar do curso, em junho do mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o diploma de jornalismo não era obrigatório para exercer a profissão. Chocado e desanimado com essa situação, Julian pensou em desistir da carreira como jornalista.

Foi nesse momento que decidiu abandonar a capital por um tempo e voltar à acolhedora Panambi. Lá, visitou o jornal da cidade e assumiu a vaga de um repórter que trabalhava na editoria de Geral. Seu primeiro trabalho na área não podia ser diferente – produziu uma reportagem falando sobre todos os buracos de rua de Panambi, coletando depoimentos de aproximadamente 40 pessoas. A partir daí, Julian ficou mais alguns meses trabalhando no jornal, cobrindo também a editoria de Polícia.

Apesar de gostar de filmes de terror, Julian explica que trabalhar na editoria de Polícia do jornal foi impactante. “Por mais violentos que sejam os filmes que eu assisto, há uma diferença entre ficção e realidade”, ressalta. Nesse momento, Julian teve a oportunidade de exercer a profissão de uma maneira mais ética, despromovendo a espetacularização da editoria policial.

Esse período no qual trabalhou no jornal de Panambi foi fundamental para Julian repensar e ter certeza sobre algumas questões sobre as quais tinha dúvida. Além disso, o trabalho reacendeu a chama pelo jornalismo que o livro Todos os Homens do Presidente despertou. Assim, voltou à faculdade e começou a trabalhar na TV Unisinos, onde permaneceu por um ano como produtor. Essa foi uma grande oportunidade de adquirir experiência e obter contato com diversos profissionais da área. Um de seus orgulhos é dizer que a professora Luciana Kraemer foi sua chefe/orientadora.

Além dessa, outras experiências também preenchem o currículo do jornalista: já trabalhou fazendo matérias jornalísticas para um site de ar-condicionado, assessorou uma empresa de automação em Porto Alegre e estagiou no Instituto Humanitas Unisinos em 2014, durante um ano. Também nesse mesmo período, começou a escrever artigos para um site especializado em filmes de terror. Com isso, ganhou alguns dólares e brindes dos seus filmes preferidos. Em 2015, formou-se, então, como jornalista.

A formatura foi apenas um ponto de transição para uma nova realidade. As ofertas de empregos para profissionais graduados na área de jornalismo não eram muitas e o piso salarial era desanimador. Portanto, procurou oportunidades no interior do Estado, buscando trabalhar em jornais que lhe despertassem interesse. Em Taquari, município localizado na região central do Rio Grande do Sul, encontrou o que procurava. Lá, trabalha ininterruptamente, escrevendo sobre assuntos pertinentes à cidade. Julian destaca a importância do jornalismo local para informar a população sore o que está ocorrendo a sua volta. Para ele, é preciso descentralizar a informação, assim “o jornalismo não pode ficar em apenas um local, ele precisa estar em todas as cidades e atender a todos os cidadãos”.

Pingue-pongue

Um professor inesquecível: Débora Lapa Gadret, Luciana Kraemer, Carlos Jahn e Bruno de Lima Rocha <3.

Uma vez matei aula para: ir no show do Black Sabbath ¯\_(ツ)_/¯.

Um amigo de infância que fiz durante a faculdade: Jean Peixoto, Jéssica Berger e todo o pessoal da equipe da TV Unisinos e do IHU <3.

Um livro marcante: Todos os Homens do Presidente.

Meu lugar favorito na Unisinos: quiosque do Kachurrasco da frente da Unisinos.

Todo jornalista é: cara de pau.

Todo jornalista deveria ser: insistente e curioso

Um profissional na área que foi referência para mim: Caco Barcellos, Flávio Tavares, Daniela Arbex, Rubens Valente e Aline Custódio.

Dyessica Abadi

Dyessica Abadi


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