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Financiamento coletivo tem amadurecido no Brasil

Projetos saem do papel a partir de doações e investidores

Postado em 3 de março de 2017 por Natália Collor

A ideia de contribuir com doações para concretizar ideias e sonhos de outras pessoas cresce no Brasil, e ela se chama financiamento coletivo. As plataformas de crowdfunding, como é chamado o termo em inglês, têm amadurecido e materializado livros, CDs, projetos e tantas outras ideias.

No ano de 2016, o Catarse, um dos maiores sites de financiamento coletivo do Brasil, arrecadou R$ 16.2 milhões em financiamentos com 5.631 projetos publicados na plataforma. Fundado em 2011, o site passou por um grande amadurecimento como empresa e também viu esta evolução acontecendo por parte do conceito de financiamento coletivo.

Fundador e vice presidente de comunidade, Diego Reeberg afirma que este amadurecimento aconteceu aos poucos, mas sempre pensaram além. “Nós pensamos que esse projeto era muito mais sobre coletivo do que sobre financiamento”, explica. Além disso, Reeberg conta que o resultado muito mais do que trazer dinheiro, proporciona contatos e experiências únicas.

O amadurecimento continua acontecendo, de acordo com o profissional, mas hoje estão muito menos amadores em relação à plataforma. “Estamos com uma novidade por dia”, brinca Diego. Recentemente foram lançadas as plataformas voltadas exclusivamente para música independente e ativismo socioambiental.

No caso do ativismo socioambiental, a plataforma busca incentivar o desenvolvimento de projetos que tratam das mudanças climáticas e áreas relacionadas, como mobilidade, resíduos sólidos e infraestrutura. Já a plataforma de música independente surgiu graças ao sucesso do tema no Catarse. Foram vendidos 54.216 CDs através do empreendimento e para esta nova iniciativa, a previsão é que os números cresçam ainda mais.

A Kickante, outro grande empreendimento de financiamento coletivo brasileiro, fundado em 2013, traz para o mercado do crowdfunding um diferencial. Candice Pascoal, CEO e fundadora do site, afirma que nenhuma campanha na Kickante fica zerada devido ao primeiro investidor ser a própria plataforma. “Nossa missão é que o crowdfunding seja o braço direito do brasileiro no Brasil como é nos EUA e Europa”, explica.

De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria RGarber em 2011, o Brasil corresponderá até 2025 a uma fatia de 10% de todo o capital levantado em financiamento coletivo no mundo. “O financiamento coletivo já é uma realidade no país e todo brasileiro pode realizar seu sonho, meta profissional ou pessoal por meio do crowdfunding”, conclui Candice.

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Relacionamento com o público

O pesquisador e professor de comunicação da Universidade Federal de Pernambuco Rafael Lucian, afirma que dentro de seus estudos sobre financiamento coletivo, teve algumas conclusões sobre a preferência do público. “Quando o consumidor participa do processo de construção de um CD, clipe, ação social, ele gosta muito mais daquele produto”, afirma.

Quando perguntado sobre os obstáculos ao longo do caminho da empresa, Reeberg diz que o pagamento online é um dos problemas que foram encontrados. “A confiança em doar dinheiro para alguém que não conhece seria um empecilho também”, comenta. Neste caso, o profissional explica que como normalmente as primeiras pessoas que apoiam são familiares ou amigos, quando os desconhecidos se deparam com a proposta já existem várias doações, fazendo com que confiem naquela ideia.

Além da confiança que o público têm nas plataformas, Lucian explica que o público se torna mais leal, gera mais engajamento e interação dentro dos financiamentos. “As pessoas indicam os produtos, dizem que participaram e têm orgulho de fazer parte daquilo”, conclui.

De acordo com o pesquisador, o financiamento coletivo no Brasil ainda tem um longo caminho pela frente. “Aqui as plataformas de crowdfunding funcionam como uma espécie de pré venda ou doação, completamente diferente da forma que ocorre na Alemanha e Inglaterra”, analisa. Nestes países, o financiamento coletivo é realizado como uma espécie de bolsa de valores, o público aplica o dinheiro em determinada ideia e ganha em cima dela mais tarde, quando de fato se concretiza. “A legislação para tornar segura a transação de dinheiro entre investidores e os empreendedores é o próximo passo para o crescimento destas plataformas no Brasil”, reflete.

Natália Collor

Natália Collor

Repórter Unicos


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