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Elói Zorzetto

"Um bom jornalista tem que enxergar as manchetes"

Postado em 20 de fevereiro de 2012 por Paola Oliveira

É fácil perceber, ao chegar à sede da RBS TV, que o dia de Elói Zorzetto é corrido. O conhecido apresentador do RBS Notícias passa apressado por todos os lados. Porém, quando conversa, Elói pensa bastante antes de falar e responde com segurança. Aos 53 anos, o jornalista formado pela Unisinos em 1984 conta que até hoje aplica um conselho dado por um professor na época de faculdade: “O jornalista sempre tem que destacar a informação da matéria e nunca assumir uma importância maior do que o fato que está cobrindo”.

Equipe do RBS Notícias (Foto: Arquivo pessoal)

Jornalista por acaso

Natural de Veranópolis, na Serra, Elói Francisco Zorzetto queria fazer carreira como bancário. O gosto pelo rádio veio ainda no colégio, mas até os 15 anos ele nunca havia pensado em trabalhar com comunicação. Diz que escrevia mal: “Como meu irmão tinha um gravador, que na época era um luxo, passei a treinar bastante. A gente gravava as melhores vozes e apresentações. Muitas vezes eu copiava o texto que os apresentadores davam. Na sétima série era quase analfabeto na leitura, mas dessa forma consegui dar uma ajeitadinha”.

Na oitava, uma professora de música percebeu que Elói lia bem e o convidou para ser orador da turma na formatura. No evento, coincidentemente, estava presente o diretor da rádio dos capuchinhos que, no dia seguinte, ligou para o Banco do Brasil, onde Elói trabalhava como estagiário, e lhe ofereceu um emprego. “O subgerente da agência insistiu que eu fosse. Eu não queria sair do banco”, lembra Elói. “Fui na rádio acreditando que me ofereceriam um emprego na parte de administração e contabilidade. A surpresa é que o padre me disse que o emprego era de locutor.” Passou então a acumular as funções de locutor e bancário, fazendo a rádio das 7h ao meio-dia, e o banco das 12h30min às 18h30min. Das 19h30min às 22h30min, ia para o colégio.

Carreira entre o rádio e a TV

Aos 17, deixou o banco; aos 18, fez teste para apresentador na RBS TV, na época TV Gaúcha, e passou. “A fila era quilométrica”, conta.

Na mesma época, mudou-se para Porto Alegre e fez vestibular para Direito na Unisinos: “Fiz as cadeiras básicas aqui no Anchieta, em Porto Alegre”. A intenção era usar o trabalho como jornalista para pagar a faculdade de Direito. Passou no teste para locutor no Sistema Globo de Rádio, começando a trabalhar na antiga Continental. Em seguida, foi para a Rádio Gaúcha e para a TVE. Deixou a Continental quando começou a trabalhar na Gaúcha FM, onde fazia programação para as emissoras de Pelotas, Santa Maria, Passo Fundo, Blumenau, Florianópolis, e Rádio Alvorada, de Brasília.

Elói participou do nascimento da Rádio Atlântida, onde ficou paralelamente com a TV até 1986. Por volta de 1980, pedira transferência para o curso de Jornalismo: “Naquela época, não havia nenhum apresentador que fosse editor. Percebi que tinha um campo bom para atuar aí. Passei a ser editor, mexer nos textos e gostar”.

Elói no RBS Notícias (1990)

Deixou a Atlântida para ser apresentador do Bom dia, Rio Grande. “Passei pelo Jornal da RBS, que era depois do Jornal da Globo; passei pelo Jornal do almoço. Dos programas existentes na época, fiz praticamente todos”, lembra. O jornalista, curiosamente, nunca trabalhou como repórter de rua. “Entrei direto dentro na redação, então é difícil, depois que se pega a edição, conseguir conciliar com a rua.” Elói ri ao lembrar que o único jornal impresso que fez foi durante a faculdade, na Unisinos. Não pensa em, futuramente, ter essa experiência: “A essa altura do campeonato, vou deixar assim”.

RBS Notícias

Em 1988, Elói começou a apresentar o RBS Notícias e, desde 2006, é editor-chefe do programa. Salienta a dificuldade de escolher o que vai e o que não vai para o ar: “Temos tecnologia, produção, mas não temos o tempo necessário para colocar tudo”. Algumas matérias ainda alcançam a edição do dia seguinte, se possível, ou migram para outros programas, como Bom dia, Rio Grande. O deadline, na maioria das vezes, é ignorado em prol da atualização: “A gente estende o deadline até a hora do programa, que é gravado ao vivo. O escopo do nosso jornal é ser o telejornal que mostra os principais fatos do dia. Essas manchetes, digamos assim, são as nossas obsessões diárias”.

Foto: Arquivo pessoal

Apresentador de sucesso

Elói responde prontamente o que é essencial para ser um bom apresentador de telejornal: “É preciso ser igual a qualquer outra pessoa em qualquer outra área, inclusive no jornalismo. Tens que ter bastante persistência, muita dedicação e fazer o certo. É o que procuro fazer, o mais certo possível, porque a gente decide assuntos que milhões de pessoas vão ver”. Para ele, o bom jornalista tem que saber perceber a importância do fato enquanto notícia, ter o famoso faro jornalístico, porque às vezes a grande notícia está em coisas que a maioria das pessoas não vê. “Isso acontece em todas as profissões. Tem gente que consegue investir bem o dinheiro porque é um bom investidor, enxerga onde estão os melhores negócios”, compara. “Para ser um bom jornalista, tu tens que enxergar onde estão as manchetes. Para várias pessoas, o assunto passa como se fosse uma coisa comum, mas o jornalista tem que enxergar nele o potencial de uma boa informação”.

O apresentador também possui uma produtora de áudio, negócio que toca paralelamente ao jornalismo. Prefere não fazer planos para o futuro: “Estou resolvendo um dia depois do outro, porque o dia é cheio”.

Elói Zorzetto é casado há 20 anos e tem dos filhos, uma menina de 17 e um menino de 14.

PINGUE-PONGUE

Uma coisa inconfessável que fiz durante a faculdade: Nada, eu era bastante CDF.

Um professor inesquecível: Muitos! O Antoninho Gonzalez foi fenomenal; a Luiza Carravetta, que ainda está lá; o professor Araújo, que acho que dava Semiótica.

Uma vez matei aula para… Acho que quase não perdi aula, mas quando trabalhava na Atlântida e fechava a rádio às 2h, estudava pela manhã e muitas vezes cheguei lá dormindo. O motorista tinha que me acordar.

Um amigo de infância que fiz durante a faculdade: Conheço muita gente, mas não lembro se conheci durante a faculdade. Até pelo fato de trocar muito de turma.

Um livro marcante: Um é difícil! O que me vem à cabeça agora é Os miseráveis (de Victor Hugo).

Um mico que paguei na faculdade: Tive uma discussão com um professor. Ele era muito bravo. Não lembro o nome dele. Discuti bastante com ele porque achei que os argumentos que ele tinha passavam, digamos assim, o limite da tolerância. Todo mundo achou que eu ia rodar na cadeira dele. Passei uma semana acreditando que não passaria no semestre, mas tive uma surpresa porque ele acabou me admirando e a gente se afinou muito bem. Passei com média 9 e pouco.

Meu lugar favorito na Unisinos: Eu ficava muito pouco lá, ia direto para a sala de aula. O máximo que fazia era comer um prensado no intervalo.

Todo jornalista é… Insaciável.

Todo jornalista deveria ser… Insaciável.

Um profissional da área que foi referência: Admiro muitas pessoas, colegas, professores, jornalistas. Sempre segui muito os conselhos desse professor que citei, o Antoninho Gonzalez.  Até hoje aplico um conselho que ele me deu, e talvez por isso eu esteja aqui há tento tempo. Ele nos disse, em uma das primeiras aulas do curso, que o jornalista sempre tem que colocar a informação como a coisa mais importante da matéria. Nunca o jornalista deve assumir uma importância maior do que o fato que ele está cobrindo. Acho que é um grande conselho. Muita gente deveria ouvir o conselho desse professor.

Paola Oliveira

Estagiária de Jornalismo


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