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Desde a Copa de 1950, no Brasil, ocorrem protestos no Mundial

Quando o país sediou o evento pela primeira vez, também houve manifestações contra gastos do Mundial

Postado em 4 de julho de 2014 por Leonardo Vieceli

Em 1950, o Brasil ainda não era campeão mundial. Contudo, preparava-se para receber a terceira edição da Copa. Fora dos campos, o País também vivia um processo de mudanças econômicas e sociais, iniciado duas décadas antes com o governo de Getúlio Vargas.

De lá para cá, 64 anos se passaram. Os brasileiros vivenciaram mudanças políticas, e a Seleção Canarinho tornou-se pentacampeã mundial. Apesar das diferenças entre o passado e o presente, as duas Copas sediadas pelo Brasil guardam semelhanças. Em ambas as edições, houve protestos contra a realização do evento.

Nos últimos dias, enquanto que os comandados de Felipão enfrentam adversários dentro de campo, manifestantes saem às ruas das capitais para questionar as exigências da Fifa e a postura do governo brasileiro. De maneira semelhante, os gastos da organização da Copa do Mundo também foram criticados por parcelas da população em 1950.

À época, o pensamento contrário à realização do evento teve como porta-voz o jornalista e político Carlos Lacerda, principal inimigo de Getúlio Vargas. Segundo o antropólogo e publicitário Édison Gastaldo, 48 anos, o objetivo da primeira Copa no Brasil era apresentar ao planeta a imagem de uma nação forte.

“O País se ofereceu como a terra-prometida e construiu o maior estádio do mundo na época. Lacerda comandou as reivindicações contra a Copa e a construção do Maracanã”, explica.

De acordo com o antropólogo, em meio ao ideal nacionalista de 1950, a derrota brasileira para o Uruguai, na final da competição, ultrapassou os limites dos gramados. “Ela significa um fracasso retumbante de uma nação projetada duas décadas antes”, resume.

Em 2014, jovens questionam diferentes aspectos da Copa do Mundo. Um dos manifestantes é Lucas Maróstica, 23 anos, integrante do movimento nacional Juntos!. Conforme o militante, a organização da qual ele participa não deseja barrar a Copa no Brasil, mas quer aproveitar a vinda da imprensa internacional ao País para denunciar gastos indevidos e atitudes corruptas relacionadas ao Mundial. “Há movimentos que diziam que não teria Copa. Nós sabíamos que o evento seria realizado e adotamos a mensagem Na Copa, vai ter luta”, afirma.

Segundo a análise de Maróstica, os brasileiros perceberam que a competição não deixará legados ao País. O militante critica a não finalização de obras de mobilidade pública em capitais como Porto Alegre e Cuiabá. “Não foi democrática a escolha do Brasil como sede. A população não pôde decidir por ela mesma”, aponta.

Ao longo dos últimos protestos, houve depredações de prédios e estabelecimentos comerciais. Em relação a atitudes do gênero, Maróstica mostra-se contrário. Segundo ele, o vandalismo afasta a população das ruas.

Para Gastaldo, quem utiliza o bordão “Não vai ter Copa” não representa a maioria dos brasileiros. Além disso, o antropólogo considera inocência torcer para o surgimento de falhas na organização da Copa e creditá-las à Fifa. “Se o governo quis destruir estádios e construir novos, a culpa não é da Fifa, que solicitou apenas oito deles”, avalia.

Leonardo Vieceli

Estagiário de Jornalismo


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