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Com mais de 50 anos, Turma da Mônica ainda encanta gerações

Mauricio de Sousa atendeu fãs na Feira do Livro de Porto Alegre na última sexta-feira (7)

Postado em 10 de novembro de 2014 por unicos.cc

Há mais de 50 anos, um grupo de crianças moradoras do Bairro do Limoeiro encanta gerações do público infantil e mantém a admiração dos adultos. A Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa, foi incorporada em quadrinhos, almanaques, filmes e desenhos animados ao longo dos anos. Para comemorar o meio século da criação de uma das personagens, a comilona Magali, foi lançado este ano o livro comemorativo ‘Magali 50 Anos’.

Durante a 60ª Feira do Livro de Porto Alegre, na última sexta-feira (7), Mauricio de Sousa esteve presente em um evento para crianças do Ensino Fundamental, seguida de uma sessão de autógrafos que durou cerca de três horas, fechada com a entrega da Comenda Ordem do Jacarandá ao escritor.

De repórter policial a desenhista

Mauricio de Sousa, 79 anos, pai de 10 filhos, iniciou sua carreira como repórter da editoria de polícia do jornal Folha da Manhã, em São Paulo. Por cinco anos, o escritor e cartunista realizava reportagens ilustradas com suas criações. Em 1959, a primeira tirinha de Mauricio era aceita pela equipe do jornal. Bidu, o primeiro personagem, era o protagonista das histórias que trariam o sucesso ao desenhista.

Entretanto, o famoso cachorrinho azul precisava de um dono. Foi então que surgiu o personagem Franjinha. Ao usar a filha mais velha como inspiração, em 1963, Mauricio criou Mônica, menininha dentuça e braba que não larga seu coelhinho de pelúcia, o Sansão.

A turma que cresceu

Com o passar dos anos, além de criar mais personagens em homenagem aos filhos, como Magali, Marina, Maria Cebolinha – inspirada em Mariângela -, Nimbus – inspirado em Mauro -, Do Contra – inspirado em Mauricio Takeda-, Vanda, Valéria e Dr. Spada, o desenhista formou não só a Turma da Mônica, mas também outras turmas, como a Turma do Chico Bento, Turma da Tina, Turma do Piteco, Turma da Mata, Turma do Penadinho, entre outras.

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Magali completou 50 anos. (Foto: Divulgação/Mauricio de Sousa Produções)

As crianças presentes no encontro não escondiam a agitação e o entusiasmo de estar diante do “Pai da Mônica”. Mauricio explicou que o motivo de usar seus filhos e pessoas conhecidas como inspiração é o da facilidade de criação. “É mais fácil criar um personagem baseado em uma pessoa que já conhece. Fica mais rico de detalhes”, apontou.

Com inúmeros questionamentos a responder, os pequenos só queriam saber detalhes simples da carreira do escritor. Uma pergunta sobre o número de publicações com o nome de Mauricio surpreendeu a plateia. Segundo o desenhista, a estimativa de gibis é de um bilhão de exemplares. Sem contar com cerca de 400 livros, entre almanaques e especiais que foram publicados.

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Mauricio respondeu a perguntas das crianças. (Foto: Mariana Blauth)

Temas atuais e educativos fazem parte das histórias

Ao ser questionado sobre sua história favorita, Mauricio aponta a chamada “Os Azuis”, originalmente publicada na década de 1970 e republicada no Almanaque da Mônica, número 15, de 1989. “É uma história sobre preconceito, tratada de uma forma bem didática”, lembrou.

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Trecho de “Os Azuis”. (Foto: Reprodução)

Mauricio contou que faz um exercício com a família que auxilia na hora de simplificar a forma de comunicação utilizada nas revistas, que abordam temas complexos de maneira simples. “Como eu tenho 10 filhos, 11 netos e dois bisnetos, estou conversando todo o tempo com essa criançada. Quando estou falando sobre alguns assuntos eles fazem perguntas. Tenho que fazer uma ginástica para traduzir cada uma para uma linguagem coloquial, mais simples e direta, que seja inteligível”, explicou.

O cartunista mencionou que não deve fugir de nenhum tema, mas tentar explicá-lo por meio de uma linguagem que possa ser compreendida. Mauricio afirmou que o sistema utilizado por ele ajuda. “Sinto, pelo que conheço do público e das escolas, que, se eu escrever como o garoto ou a menina de 14 anos entende, estou escrevendo para o Brasil inteiro”, salientou. Segundo ele, se os assuntos forem tratados em um nível acima disso, haverá pessoas que terão dificuldades para entender. Menos do que isso, torna-se infantil, de acordo com ele.

“Temos que respeitar a inteligência da garotada, que também está muito sofisticada e exigente quanto à forma, conteúdo e mensagem. É uma ginástica boa que eu tenho feito esse tempo todo”.  Depois de escrever, Mauricio lê em voz alta para conferir se a linguagem é inteligível. “Tiro uma palavra, tiro outra, mudo a forma. Meu sistema é simplificar a comunicação, não sofisticar”, ressaltou.

Mauricio entra na lista de homenageados da feira

Após a sessão de autógrafos, o cartunista foi homenageado. Ele foi a quinta pessoa a receber a Comenda Ordem do Jacarandá, concedida pela Feira do Livro de Porto Alegre. Além disso, texto e música foram elaborados especialmente para o cartunista, e houve performance de um artista que estava vestido como o personagem Louco, da Turma da Mônica. Fantasiado, ele divertiu quem estava presente no local.

Paixão de infância

Jerri Costa, cartunista, revela que deve seu trabalho de ilustração a Mauricio de Sousa. “Com seis, sete anos, eu lia os gibis da Turma da Mônica e mergulhava nos desenhos. Perguntei uma vez para minha mãe qual era o nome da profissão que fazia aquilo. Quando ela disse ‘cartunista’, eu imediatamente respondi que eu seria aquilo quando crescesse”, conta.

Junto com sua esposa Taise Teixeira, Costa formou a história em quadrinhos da Família Falcote, enredo de dois super-heróis que combatem o calote e a mentira. O primeiro gibi foi publicado em 2008 e até hoje foram lançados 21 edições e duas especiais, de bolso e mangá. No total, foram criados mais de 70 mil exemplares espalhados pelas cidades do Rio Grande do Sul.

Em 2009, Taise criou os projetos Quadrinhos na Escola e Ilustrando a Vida, que beneficiaram mais de 100 escolas com as publicações que abordam temas como bullying, preconceito e boas maneiras. “As escolas entram em contato com a gente e nos dizem que temática querem que seja abordada nas histórias. Nós criamos e distribuímos para que sejam usados em sala de aula e auxiliem na educação das crianças”, explica Costa.

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Jerri Costa é fã de Mauricio desde a infância. (Foto: Mariana Blauth)

Mônica Sosnoski é prova de que a obra de Mauricio de Sousa perpassa gerações e deixa marcas no cotidiano. Aos 30 anos, a jornalista tem estampado na pele o carinho pela turma do bairro do Limoeiro. Nas costas, possui uma tatuagem da personagem Mônica. Ao chegar a vez dela de falar com Mauricio de Sousa, o autógrafo foi especial: o cartunista completou a tatuagem, desenhando um coração e a própria assinatura. Mais tarde, Mônica iria a um estúdio de tatuagem perpetuar o autógrafo.

Emocionada, ela contou sobre a relação que tem com os quadrinhos de Mauricio. A mãe resolveu chamá-la de Mônica por causa da irmã mais velha que, na época, tinha cinco anos e era fã da turminha. A jornalista disse que, durante a infância, tinha assinatura dos livrinhos de Mauricio. “O único momento de sossego era quando o carteiro entregava os gibis. Praticamente me alfabetizei lendo eles”.

Para Mônica, o desafio de Mauricio é permanecer no mercado, que é muito concorrido. “Desejo que o trabalho dele seja cada vez maior”, relatou.

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Mauricio completou a tatuagem de Mônica. (Foto: Mariana Blauth)

 

Reportagem: Dominique Nunes e Mariana Blauth

Foto de capa: Mariana Blauth

Vídeo: Fernanda Fauth

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