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CRÔNICA: Bordar não é coisa de velhinha

Bordado empoderado é um formato novo, feminista e atual

Postado em 20 de dezembro de 2016 por Natália Collor

Bordar é um exercício de paciência, foi o que minha mãe me disse depois de eu errar uns três pontos e ficar com preguiça de desfazer tudo, para começar outra vez. Já quando comentei com meus amigos sobre o desejo de aprender a desenhar com linha e agulha sobre tecido, alguns ironizaram e disseram que em um curso de bordado seriam somente eu e mais umas senhorinhas.

No último final de semana, decidi fazer um curso de bordado empoderado, que tem como objetivo ensinar essa arte em um formato novo, feminista e atual, como a própria Bruna Antunes, professora do curso, explica. O que eu menos encontrei lá foram velhinhas. Pelo contrário, eram meninas cheias de vontade de bordar frases que representassem o que elas pensam. Bordei a frase “Seja barraqueira, seja heroína”.

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Foto: Natália Collor

As meninas bordam frases que dão poder às mulheres, colocam no tecido um pouquinho delas com palavras de força e desenhos que elas bem entenderem. Em pequenas rodas, sentadas no chão, um ponto ou outro eram explicados e as dicas iam passando boca a boca. “Fica melhor assim”, “tenta desse jeito”, “vem cá que eu te ajudo”, a troca era mútua.

Não foi tão fácil quanto eu imaginava, enrolar a linha e passar pela agulha exigem um esforço que realmente testa a paciência. Sem muita mudança sobre a minha ansiedade, me limitei a refazer apenas uns dois pontos errados desde que comecei. Foram engraçadas as reações de pessoas próximas ao ouvirem sobre a minha tentativa em ser bordadeira. Nunca fui boa em trabalhos manuais, e o bordado fazia a situação ser ainda mais irônica, por ser totalmente o contrário de “recatada e do lar” associada à atividade há uns anos atrás.

Saí do curso extasiada, procurei no youtube vídeos para aprender novos pontos, pesquisei novos desenhos e decidi presentear todo mundo com um bordado. Foi só o primeiro módulo e mesmo errando uns pontos, sem muita paciência ainda, quero bordar qualquer pedaço de tecido que encontro.

Natália Collor

Natália Collor

Repórter Unicos


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