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Argentino faz show para seleção holandesa e ganha ingresso da Copa

Durante o mundial, o músico conseguiu assistiu ao jogo da Holanda ao lado da rainha

Postado em 30 de junho de 2014 por Dominique Nunes

No dia em que cerca de 100 mil argentinos tomaram conta das ruas de Porto Alegre, o músico Fernando David Funes, conhecido como Paco Funes, torcia pela Argentina na Fan Fest enquanto seu filho mais novo assistia à partida ao vivo no estádio Beira-Rio. Sem emprego fixo, o artista desembarcou em Porto Alegre em abril para trabalhar e, desde que a Copa iniciou, conseguiu mais que alguns trocados para sobreviver. Passou a colecionar histórias e ingressos para as partidas na cidade.

Sozinho, a bordo de um furgão e um trailer, o argentino instalou-se no parque Maurício Sirotsky Sobrinho, onde está o Acampamento Extraordinário Farroupilha. Desde que chegou, ele faz shows pela manhã no centro, próximo ao Mercado Público e na rua dos Andradas. Em uma de suas apresentações, alguns holandeses que passavam pelo local gostaram do seu trabalho e o convidaram para tocar em um evento. Até então, Funes não sabia que tocaria para a Federação Holandesa de Futebol. “Estavam lá alguns jogadores e eu fiz meu show, mas depois quando me pagaram, me deram de presente dois ingressos para o jogo Holanda e Austrália”, fala.

O filho do artista, Franco Funes, 19 anos, havia chegado ao Brasil alguns dias antes da partida. O músico foi ao Beira-Rio com Franco, mas não havia percebido que os ingressos eram de Categoria 1, ou seja, os mais caros e com lugares mais nobres dentro do estádio. “Fiquei muito perto da Rainha dos Países Baixos, Máxima Zorreguieta, o consulado holandês e a equipe técnica de Holanda, até tirei foto com o técnico Louis van Gaal”, lembra.

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Argentino mostra ingresso para jogo da Copa (Foto: Dominique Nunes)

No dia da partida de Argentina e Nigéria, o outro filho do músico desembarcou no Brasil. Santiago Funes, 17 anos, acabou ganhando de presente do pai um ingresso para assistir Messi jogar no Beira-Rio. Como havia muitos argentinos para assistir a partida, o músico sabia que não conseguiria ingressos gratuitos. No entanto, sem desistir de tentar pelo menos uma entrada, foi em busca dos tíquetes no dia do jogo.

“Fui até onde podia passar sem ingressos e encontrei um tio com um sobrinho que estava vendendo apenas uma entrada a US$ 800. Eu disse para ele que o ingresso era para meu filho, e que eu só tinha US$ 100 e R$ 500, o que para os argentinos isto é muito dinheiro. Então ele aceitou a proposta e vendeu a entrada”, fala.

Vida de acampado

O músico de 42 anos vive na região de Córdoba e, assim que chegou à capital gaúcha passou dois dias dormindo no próprio veículo, dentro de um estacionamento. Entretanto, foi orientado a procurar outro local para ficar. Quase desistindo de permanecer no Brasil e pensando em voltar para a Argentina, o músico, em conversa com um taxista, descobriu o Acampamento Farroupilha. “Vim aqui e pedi para ficar. Falei com a prefeitura e depois o administrador do parque me acolheu muito bem e me deixou ficar”, lembra.

O administrador da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), João Santarém, conta que Funes chegou ao parque no dia 1° de maio. “Como era feriado, não havia funcionários trabalhando e ele acabou se instalando aqui. No dia seguinte, fui ao encontro dele e ele me contou que foi à prefeitura e que de lá o mandaram para a Secretaria da Cultura, que o orientou para que viesse pra cá”, diz o funcionário. Segundo Santarém, a dependência do argentino no local dependia de uma autorização vinda dos responsáveis pelo parque. Como o administrador é um deles, providenciou a estadia do músico no ambiente.

“Ele veio usando o período da Copa para trabalhar no Brasil. Agora ele se apresenta diariamente em um dos restaurantes do parque”, conta Santarém. Funes considera-se músico desde criança, por sempre estar envolvido com o mundo dos palcos. “Aos quatro anos dançava música gaúcha e argentina, depois, aos 12, comecei a ter aulas de violão e aos 28 me dediquei 100%, entreguei minha vida completamente à música”, ressalta. O argentino afirma que os gaúchos abriram o coração para suas músicas, tanto que já compraram seus CDs e o ajudaram com dinheiro nas apresentações de rua.

Apesar de ter colecionado amigos, histórias e uns trocados no Brasil, Paco Funes deve voltar para a Argentina em 14 de julho. “Preciso estar dia 16 de julho lá. Neste dia completo 20 anos de casado com minha mulher, ela está grávida de sete meses”, salienta. Daqui, o argentino leva para casa boas percepções sobre o País-sede do mundial. “A Copa no Brasil está perfeita. É uma maneira de integração social”, afirma.

Dominique Nunes

Repórter Unicos


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