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A arte ocupa a rua

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Postado em 19 de dezembro de 2016 por unicos.cc

Texto dos alunos (as) Carolina Schaefer, Luísa Boéssio, Rafael Erthal, Roberto Caloni e Virgínia Machado, publicado na Beta Redação.

Cores, cheiros, sons. A rua é um espetáculo de informações. O cinza do concreto da cidade de pedra é contrastado com a publicidade escancarada, o colorido dos objetos nas vitrines e o passo rápido da metrópole. Porto Alegre, cidade com mais de 1,4 milhão de habitantes, é a caracterização perfeita de uma grande capital brasileira. O ritmo acelerado da rotina é quebrado pelo inesperado, muitas vezes até inexpressivo aos olhos menos atentos, mas é impossível negar que as intervenções urbanas de arte estão por toda parte. A cena cultural de Porto Alegre é conhecida, e carrega em sua essência uma história de agitação social e manifestações políticas que se mesclam ao estilo boêmio do coração da cidade.

Fabrício Silveira, pesquisador na área de Cultura, Cidadania e Tecnologias da Comunicação da Unisinos, explica que esse fenômeno ocorre desde 1960, quando eclodiram conjuntos de manifestações artísticas que levaram a vivência de arte para o espaço público. Para ele, a história do grafite, por exemplo, está diretamente ligada ao ambiente político e estudantil da década, sendo de fato um marcador histórico dessas ações. O professor acredita que essas manifestações não só continuaram acontecendo como têm se ramificado, tornando-se prática cotidiana na construção de novas ideias sobre a arte de rua.

Perceber uma intervenção de arte na rua não é difícil, já que atualmente essa característica tem sido principal tarefa de agitadores culturais, que encontram na rua uma forma de expressar suas inquietações. Fabrício explica que essa disposição do fenômeno estético para o espaço público sempre existiu, mas que sofreu transformações ao longo do tempo e, principalmente, sofre as interferências históricas da localidade.

A intervenção como ato político

A arte sempre encontrou seu espaço nos lugares onde a criatividade pode andar livremente. A rua, espaço de circulação de pessoas e de convivência, não foge a essa descrição. Mesmo com a tradição dos museus de arte e galerias de exposição, a arte urbana nasce do sentido de criar um estranhamento em quem a vivencia, quebrando a rigidez do cotidiano. “Quando se fala em arte urbana eu penso sempre no sentido político. De ocupação do espaço público e de remeter ao espaço público. De tomar posse da cidade e, junto disso, vêm questões identitárias. De grupos que se afirmam, através dessas manifestações, e que usam essas manifestações para ganhar voz socialmente”, aponta Silveira.

O professor acredita que essas manifestações são impactos que levam à discussão da rotina maçante e à quebra de algumas ideias internalizadas. “A função dessas manifestações é de fazer proliferar intervenções como essa, chamar o público para o espaço coletivo e propor uma crítica. Tudo isso à margem das instâncias legítimas de controle da arte”, salienta.

Intervenção Grafite

Intervenção realizada por Renam Canzi, projeto Casulo Estratégico, em um prédio abandonado em Morungava no interior de Gravataí. Foto: Virginia Machado /Beta Redação

Sem dúvida, as intervenções urbanas em Porto Alegre têm sido exploradas em sua maior intensidade. Prova disso, é que a cada momento surgem novos coletivos com propostas inovadoras e ousadas de como trazer as discussões políticas para o âmbito da arte. Exemplos dessas intervenções, os grupos a seguir se propuseram a conversar com a Beta Redação e contar suas experiências. Saiba quem são eles:

Casulo Estratégico

Um coletivo de pessoas com vontade de produzir momentos de criatividade e conteúdo que pode ser alavanca de outros projetos. Essa é a definição da Casulo Estratégico, empresa criada pelo arquiteto e grafiteiro Renam Canzi. A ideia surgiu de uma vontade do Renam de trabalhar com ideias livres, sem a obrigação de escrever em linhas retas e prazos demarcados. É um casulo, literalmente. Para ele, entregar a borboleta não é a principal preocupação, já que o acontecimento está, de fato, na produção das intervenções, que sempre possuem um cunho de desconstrução social. O grafite surge para dar vida ao projeto Gênero Identidade, que propõe uma reflexão sobre os padrões constituídos de gênero e sexualidade, sustentando, através de suas artes, que a beleza está mesmo é na estranheza.

Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

Atuando há mais de três décadas, a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz marcou a paisagem cultural do Brasil, com a iniciativa de subverter a estrutura das salas de espetáculos e levar o teatro para a rua. Com base nos preceitos de Antonin Artaud e do teatro revolucionário, investiga com rigor todas as possibilidades da encenação e busca uma identidade desenvolvendo sua estética própria, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator, estabelecendo um novo modo de atuação.

Rap na rua

O rap, como estilo musical e cultura urbana, nasce da realidades das ruas da periferia e ganha o mundo através de suas canções combativas e de cunho político. Indo mais longe, realiza o encontro entre o público e seus criadores a cada edição do Rap na Rua, evento que ocorre esporadicamente em vários lugares de Porto Alegre. A organização fica por conta de Jeferson Fidelix, coordenador geral, e Marcelo Medeiros, produtor do evento. Além de batalhas de rap, já tradicionais no cenário musical urbano, o festival engloba outras atrações, como apresentações de skate e jogos de basquete.

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